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  • Foto do escritorAlessandra Steffens Bartz

Tornar-se pai

Atualizado: 29 de ago. de 2020

Ter filhos faz parte dos planos de muitos casais. Estamos mais acostumados a ouvir as mulheres sonhando com a maternidade. Todavia, cada vez mais os homens estão expressando o seu desejo de serem pais e reivindicando um papel atuante frente ao cuidado dos filhos. Temos uma geração de pais presentes, que trocam fralda, fazem dormir, brincam com os filhos, que desejam viver intensamente o papel paterno.


Desde cedo, ao observar crianças brincando de casinha, vemos os meninos querendo fazer o papel de pai. Outrora nem mesmo se aproximavam das brincadeiras de pai e mãe, pois essas eram consideradas propriedade das meninas. Agora os meninos estão mais autorizados a ser o pai, cozinhar, vestir a boneca (o seu filho). Quão importante são essas brincadeiras infantis, onde os pequenos podem expressar suas vivências em família e onde podem se experimentar em diferentes papéis sociais. O preconceito impediu muitos meninos de participar de brincadeiras com as meninas, configurando dessa forma o que são coisas de menino e de menina.


Como os meninos aprenderão a cuidar da casa e dos filhos se forem incentivados somente a brincar de carrinho e bola? É inserindo os meninos, desde cedo, na participação das lidas domésticas, na ajuda ao cuidado dos irmãos, no aprendizado da culinária, que teremos pais atuantes. Precisamos educar os meninos para serem um dia independentes no cuidado de si, da casa, de uma família ou do viver só com autonomia. Muitos pais do passado não sabiam cuidar dos filhos, pois nunca tinham cozinhado um ovo ou feito uma mamadeira. Foram pais não alfabetizados nas atividades familiares. Por isso, muitos foram distantes dos filhos ou apenas destinados a dar as broncas maiores.


Mas o papel paterno foi mudando, acompanhando as mudanças sociais. Aos poucos, percebemos o quanto os pais perderam em proximidade e intimidade com os filhos ao ficarem periféricos. Filhos perderam a rica vivência de conversar com o pai, de aprender com ele e de conhecê-lo melhor por conta da parede construída entre pais e filhos. É com alegria que vejo os pais se engajando, participando, fazendo tudo que um dia somente as mães faziam. E alguns com melhor traquejo do que algumas mães. Vamos cuidar para não cair em outro extremo...


A configuração familiar em que pais e mães sentem-se responsáveis pelas atividades da casa e o cuidado dos filhos tende a ser mais harmônica. E isso não significa ajudar. Quem ajuda o outro não está fazendo parte, se responsabilizando, entendendo que tudo que permeia o lar é de ambos. Dessa forma, estaremos dispondo novos modelos para os próximos pais. Quebrando barreiras para que todos os pais possam viver seu papel amplamente.


Queridos pais, suas palavras geram aprendizados, seus pés são guias, suas mãos demonstram, seus braços acolhem. Um pai é tão importante quanto uma mãe na vida dos filhos. A primazia da mãe faz parte do modelo do pai provedor e da mãe do lar. Esse modelo não existe mais. Ambos trabalham, ambos criam os filhos, ambos são os cuidadores principais. Ao banhar um filho, andar de bicicleta, acompanhar a lição de casa, ensinar a assar o churrasco, ocorrem ricas vivências, compartilhamentos, que reforçam o vínculo afetivo e criam a proximidade para que o filho possa revelar seus segredos ao pai. Pais, não desperdicem essas maravilhosas oportunidades! Vivam intensamente todas as fases dos filhos, acompanhando seu desenvolvimento, seu amadurecimento. Acolham, sejam continentes aos sentimentos, ofereçam modelos de agir com ponderação, estimulem que se arrisquem com segurança.


Parabenizo a todos os pais, que por mais variados que sejam, estão tentando exercer seu papel da melhor forma possível. Entendam que falar com a professora ou estudar com o filho, mostra o valor do estudo; aconselhar o filho mostra o desejo de plantar bons valores e comportamentos; cortar as unhas da criança mostra cuidado com a higiene; brincar evidencia amor e atenção. E a necessidade de um pai não acaba na infância. Acompanha a adolescência, mesmo que chamados de caretas. Adolescentes querem os abraços dos quais fogem, e apreciam o interesse do pai pelos seus interesses, com respeito e entendimento dos conflitos juvenis. E os filhos criados, adultos, não deixam de precisar do olhar carinhoso do pai, que torce pelo filho, mesmo que a distância. Como um pai é importante! Pai é para toda vida! Mas não se nasce um pai, torna-se um pai. Pai biológico, do coração, emprestado, não importa. Pai é para todas as horas!


Texto publicado no jornal Gazeta do Sul, agosto/20.

Ilustração: Matheus Steffens Bartz - Instagram: instagram.com/mbartzart


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