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  • Foto do escritorAlessandra Steffens Bartz

Dias de Quarentena - Em busca de felicidade e bem-estar

Atualizado: 31 de mai. de 2020

Tantas vezes, durante nosso andar pela vida, somos questionados sobre o que buscamos. Variadas respostas podem surgir para essa questão. Dentre elas, com frequência as pessoas defendem que almejam a felicidade. Mas o que é felicidade para cada um de nós? Será possível encontrar a felicidade ou teremos apenas momentos felizes? E ainda, será que momentos de dor podem conter faíscas de alegria?


No senso comum, o conceito de alegria, felicidade e bem-estar são muito subjetivos, dependem do olhar e das vivências de cada um. Que alegria contagiante têm os pequeninos! Se alegram facilmente e irradiam essa emoção por todos os poros. Com o passar do tempo, as crianças vão ficando mais sérias, algumas chegam a ter uma rotina de empresário, com tantos compromissos na agenda. Os adolescentes oscilam de humor facilmente, indo da alegria à irritabilidade, devido a mudanças hormonais, emocionais, físicas, relacionais, o luto da infância perdida. E os adultos andam frenéticos, mergulhados nos estudos, no trabalho, com o intuito de obter maior conforto, segurança, bem-estar e a almejada felicidade.


Costumamos olhar para a frente, para o futuro, planejar, tentar prever. Também espiamos para trás, para o passado, seja bom ou ruim. Mas a vida acontece aqui e agora, no presente. E é no presente que vivemos momentos felizes. Pode ser um engano pensar que a felicidade virá num grande evento, depois da promoção, após a aposentadoria. Na maior parte do tempo somos tocados por pequenas gotas de alegria que são percebidas quando você está conectado no presente. Um sorriso, o gesto de bondade, o conforto do lar, estar junto de quem se ama. Quantas vezes estamos com o pensamento longe, nos planos, preocupações, ou no celular e não enxergamos o que se passa ao nosso redor.


Os momentos difíceis parecem automaticamente ruir com qualquer possibilidade de felicidade e bem-estar. A dor, a angústia, cala muito forte, no íntimo de cada um. Nos sensibilizamos, iramos, choramos, esbravejamos, calamos. No entanto os momentos de dor aguçam a sensibilidade e favorecem o olhar para as pequenas coisas. Aquelas que só vemos quando paramos. E temos visto tanta solidariedade, união, voluntariado, belezas nunca vistas em tamanha proporção e frequência. Aprendemos muito nos momentos de dor, onde abrem-se as cortinas do que realmente importa. Estamos todos aprendendo muito! E nesse momento inusitado, nunca antes vivido pelas gerações atuais, somos desafiados a continuar sendo felizes de alguma maneira, em meio à insegurança e o medo.


O gesto de ajudar o próximo nos proporciona muita alegria. O amor, a empatia, são ingredientes abundantes nas pessoas mais felizes, provando que a felicidade não está na riqueza, mas no modo de olhar e guiar a vida, as ações. Muitos estão genuinamente preocupados com o bem-estar de todos, desde o empresário que não quer demitir seus colaboradores, deixando desprovidas as famílias; todos os profissionais que estão trabalhando para ficarmos bem e aqueles que estão se mantendo isolados, saindo apenas para o que for essencial. Nosso bem-estar depende de todos. E fica tão claro agora que estar com saúde, por si só, já é motivo de felicidade e gratidão.


Se a vida (ou o coronavírus) nos desatina, mostremos que somos guerreiros, flexíveis, adaptáveis, criativos, solidários. Nosso desafio diário é conduzir a vida no lar com mais calma, a fim de enxergar a beleza do entorno: sentir o prazer de ter o filho no colo, de dialogar com o adolescente, de ouvir o idoso com mais tempo e atenção. Estar presente permitirá perceber que vivemos pequenas alegrias diárias, mas que não existe uma fase de total felicidade. A vida não é perfeita e não é passível de controle. Cultivar a felicidade implica em cuidar da saúde física, mental, espiritual, relacional, financeira. Apesar da pandemia, continuamos sendo responsáveis por nossa felicidade. Sigamos cultivando o jardim da alegria, esse fator protetor que nos impulsiona a resistir esperançosamente à nuvem negra que insiste em assolar.


Texto publicado no jornal Gazeta do Sul, abril/20. Ilustração: Matheus Steffens Bartz Instagram: instagram.com/mbartzart


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